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Segunda, 31 Março 2008 13:20
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19/06/06: Marinha Grande (Portugal) – Istanbul (Turquia)

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Discovery 200TDI 10/1990, personalizado Camel Trophy

Era uma vez um rapaz aventureiro de seu nome Afonso Cerejo, que juntando o útil ao agradável idealizou e concretizou levar o seu Land Rover a conhecer outras paragens bem longe do seu normal habitat, no caso, a Turquia.


Por motivos profissionais iria precisar de um veículo para poder circular durante as longas estadias por este magnifico país que encanta facilmente quem gosta da civilização humilde e simpática e que por ali prolifera, e assim, pensando nos fins-de-semana que iria ter livres de permeio com as semanas de trabalho, nada melhor que ter um veiculo 4x4 para poder explorar como ele gosta e sabe, fora de estrada, claro está.

Antes de o levar a passear fora de portas, conheci os aficionados da Land Rover da Turquia através da Internet e quando cheguei tive o prazer de os conhecer pessoalmente e de aceder ao seu mundo, o virtual esse já o conhecia. Mas isso fica para outra ocasião, contar o que se tem vindo a passar com esta fantástica malta e com este fabuloso país.

Vamos ao relato da viagem, propriamente dito.

Era o dia 19 de Março de 2006 pelas 14h em frente á porta de casa quando me fiz á estrada, a hora prevista de saída eram as 8h da manhã, mas um imprevisto de ultima hora adiou o início da viagem.
Tinha, segundo o Autoroute, 3825km de estrada para fazer a juntar a uma travessia de Ferry desde Ancona-Itália até Igoumenitsa-Grécia que iria começar ás 17h e terminar ás 8h da manhã já na Grécia sem paragens.
Este foi o itinerário escolhido para tentar fazer o máximo de percurso dentro da EU para evitar fronteiras até chegar á Turquia.
A primeira fase da viagem foi por estradas, cidades e vilas já bem conhecidas de outras viagens atravessando Portugal e Espanha até chegar á fronteira territorial com França.

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Morando na Marinha Grande, a primeira cidade a atravessar depois desta era Leiria, a minha cidade natal, e de seguida a auto-estrada nº1 em direcção ao Sul até á saída de Torres Novas tomando o IP6 até á fronteira em Badajoz.
Logo ali ao lado Cáceres, sempre em ritmo certinho e vivo nunca passando dos 110/120km, cumpro o meu primeiro depósito de combustível, cumprindo cerca de 300km, atesto para cerca de 600km que marcava desde o ultimo depósito, com 60,5 litros a preço de Espanha e meto os primeiros trocos ao bolso comparando com o preço em Portugal, mas iria durar pouco essa benesse. O meu Discovery assinala 300.000km no conta-quilómetros após 15 anos e 6 meses de vida.



Madrid é passada ao largo e Zaragoza é o objectivo para dormir a primeira noite, chego ás 2,30h da manhã a um Hostal junto á estrada principal já perto de Zaragoza com condições excelentes, de hotel mínimo de 4 estrelas e pago 40€, tinha cumprido os meus primeiros 900km de percurso e sentia-me bem fisicamente e faço uma primeira inspecção aos órgãos e níveis vitais e estando tudo bem, durmo relaxadamente até o corpo me pedir pequeno-almoço.
Pelas 10h.30 faço-me de novo á estrada e pelas 15h aproximadamente após ter almoçado algo ligeiro perto de Barcelona passo em Le Perthus, primeira vila Francesa após sair de Espanha passando ao lado de Barcelona em direcção a Marselha.

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As vistas começam a melhorar com o mar a fazer-me companhia, o meu eterno e velho amigo mar, mais uma vez estava comigo nos meus momentos de solidão, como eu o respeito e adoro. Os Cd’s iam tocando fazendo-me de igual modo companhia, a máquina fotográfica encontrava novos momentos até então nunca vistos pelo meu olhar e ao som de Pedro Abrunhosa a França sentia o poder e a raça de um Discovery cheio de vitalidade e vontade de chegar ao destino levando o seu orgulhoso dono ao destino tal barco que leva o seu marinheiro a porto seguro.
O segundo reabastecimento, cumpridos cerca de 1.200km e o primeiro engolir em seco, quase 15€ a mais para atestar o carro, mas enfim, atestei e segui até chegar a Marselha pela hora de jantar e dando inicio a um tour turístico forçado por Marselha e arredores na busca de hotel, visto decorrer uma conferencia qualquer de grande nível e os hotéis estarem todos cheios. Valeu-me o Íbis a 20km da cidade e na direcção pretendida, juntinho ao mar, La Seyne-sur-Mer já perto de Toulon, a proporcionar-me um espectacular despertar com pequeno-almoço na esplanada junto á piscina e com vista para o mar, nem parecia ter já quase 1.700km andados tal a frescura e bem estar com que me sentia, realmente fantástico para viajar este Discovery, admito que outros o sejam de igual modo, mas viajar com tanta tralha com consumo moderado e confortavelmente como estava a viajar duvido que noutro veiculo da categoria se consiga.
Deixo para trás o hotel perto das 11h e volto um pouco atrás para fotografar alguns recantos com Marselha em pano de fundo, voltando ao track previamente estabelecido que me iria fazer passar pela zona do Glamour durante todo o dia.

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Seguiram-se as cidades de Toulon, Cannes onde almocei e caminhei durante cerca de 2h procurando momentos para a minha máquina fotográfica, Nice onde assisti ao por de sol e nascer da noite com cores e enquadramentos fantásticos acompanhados de um movimento humano muito interessante de acompanhar e de observar no passeio marítimo, e sigo viagem parando quase de kilometro a kilometro tantas eram as bonitas e recheadas de vida, cor e luz paisagens que se me deparavam ao fazer mais uma curva junto ao mar, o Mónaco esperava por mim, foi a seguinte e demorada paragem

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Pela primeira vez pisava aquele pequeno paraíso fiscal e logo o ambiente rico e senhorial se fez notar começando pelo parque automóvel que circulava junto a mim, passando pelo nível de construção dos palácios e prédios acabando na espectacular marina onde os Iates mais pareciam cidades, tal a sua envergadura e tamanho colossal, e muitos que eles são.

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Passagem obrigatória pelos pontos quentes da cidade/país o Casino e o Grande Hotel para mais umas fotos e subo até ao alto da cidade para me deliciar com a bonita e luminosa vista, seguindo uma tortuosa estrada ao longo da costa entrando na Itália logo de seguida até chegar a S.Remo pelas 22h onde parei para jantar.

Tinha rendido pouco em termos de kilometros percorridos o dia, mas valido a pena as pausas para apreciar tão belas paisagens e locais.
Após o jantar decidi fazer-me á estrada mais um pouco até porque tinha alguma Auto-Estrada para fazer até á cidade de Ancona onde iria apanhar o ferry, e após ter feito cerca de 200km chego perto de Génova e paro para novo reabastecimento de novo a preço de rico europeu e decido, pela temperatura agradável da noite que estava a rondar os 22º, decido, dizia eu, recostar-me no assento do condutor rebatendo-o e passar pelas brasas até ganhar animo para mais uns kilometros para encontrar um hotel.

A “cama” foi de tal modo agradável, e a juntar á temperatura que se fazia sentir lá fora, que acordei eram 6h da manhã com a luz do sol a chamar-me e a dizer-me, “que fazes aqui parado? Toca a acordar e a fazer-te á estrada”, Concordei com as suas palavras, cumprimentei-o e sai do carro indo utilizar as excelentes, diga-se, instalações sanitárias da área de serviço para fazer a minha higiene matinal e tomar o pequeno-almoço para de novo pelas 7.30h da manhã após nova inspecção aos órgãos e níveis vitais do carro começar a conduzir de novo.
Tinha mais de metade da viagem feita, cerca de 2.200km já feitos, o carro estava óptimo, apenas o nível do óleo tinha baixado um nadinha, o que é normal, o seu dono estava bem fisicamente, feliz e orgulhoso da máquina que muitos olhavam ao passar por ela, devido principalmente á matricula ser portuguesa e andar por aquelas paragens fora de época turística e a Turquia esperava por mim.

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Paro em Génova, cidade que gostei imenso não só pelo seu quotidiano, mas principalmente pela sua mistura de cores e formas arquitectónicas com uma beleza digna de ser visitada, uma cidade que aconselho vivamente a visitar. Tem um passeio marítimo enorme que faz as delicias dos que gostam de caminhar e muitos pontos de interesse citadino recheados de história para visitar. Infelizmente e porque não era esse o meu objectivo, fui obrigado a deixa-los para trás para seguir viagem com alguma pena, lançando um olhar sempre que podia para trás como que dizendo, gosto de ti Génova, hei-de cá voltar, não duvides. A máquina registou mais alguns momentos interessantes e a auto-estrada que liga Génova a Bolonha passando por Florença, esperava por mim, era quase meio dia e o ferry estava marcado para as 17h, havia que conduzir.

Até Florença rola-se muito bem apesar do intenso transito, mas depois aqueles tortuosos 80km de auto-estrada de montanha pejada de camiões e acompanhados por uma chuva intensa quase me faziam desesperar porque via os minutos passar e pouco avançava. Mas com a minha calma e sempre com a musica a fazer-me companhia levando-me a ir trauteando algumas delas bem ao meu gosto, lá cheguei a Bolonha onde passei um difícil congestionamento de transito devido a obras na saída da cidade e rolo de novo em auto-estrada plana e de 3 faixas parando para comer algo eram 14.30h, faltavam cerca de 150km para o ferry em Ancona.
Passo ao lado de San Marino, que gostava de ter visitado, mas não tive tempo, ficará para o regresso e sigo rolando ao ritmo ao qual o carro parece gostar e que me permite fazer uma viagem calma e rolante ao mesmo tempo.

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Ancona chega e eram 16h15m, objectivo cumprido, 3º dia de viagem e estava tudo cumprido até então, 2700km tinham ficado para trás.
O ferry parte ás 17h em ponto sem muita gente e chegaria á Grécia na manhã seguinte.

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Tenho tempo para uma visita em solitário pelo enorme barco com 8 andares acima da linha de água fazendo tempo para comer algo e ir descansar no cadeirão super confortável reclinavel a que tinha direito pelo bilhete adquirido que quase me fazia lembrar o meu acento do Discovery, tal o conforto encontrado.
Tenho acesso á Internet em plena travessia comprando um cartão próprio e actualizo o meu e-mail dando notícias sobre a minha viagem aos que me são mais próximos.

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Junto ao bar, e porque me procurou vendo-me no computador, acerca-se um individuo aparentando uns 50 anos a perguntar-me em inglês se tinha acesso á Internet e como tinha feito, começou ali uma longa conversa de 2 aventureiros trocando experiências e contactos.
O individuo é Canadiano com origem holandesa, viajou muito pequenino com os seus pais para o Canadá e agora regressou á Europa após falecimento de sua mulher e a sua reforma, trazendo o seu Oldsmobile americano de barco para passar o seu tempo a viajar e a conhecer o mundo que desconhece, já tinha passado por Portugal. Foi super agradável a experiência e ficou o convite para nova visita a Portugal para segundo ele, comer sardinhas que tinha gostado muito.
Deitei-me eram quase 1 da manhã, mas sentia-me relaxado e muito bem. Ás 7h acordo com a alvorada no navio, visto estarmos já próximo do ponto de chegada, Igoumenitsa já na Grécia. O ferry não tinha feito escalas e tinham sido 15h sempre a navegar.

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Por desconhecimento total e por ter idealizado a rota em total autonomia, idealizei este trajecto, que até aqui tinha funcionado bem, julgando estar a fazer o melhor, mas depois de o fazer cheguei á conclusão ter sido de todo errado ter escolhido este ponto para entrar na Grécia e a ter atravessado em direcção a Istanbul, tal o péssimo estado das estradas, o difícil trajecto, a falta de sinalizações adequadas e a terrível, perigosa mesmo, forma de conduzir dos Gregos que me levaram a gastar 5h seguidas para fazer 250km de estradas tortuosas, sinuosas e perigosas de montanha, passando a cerca de 1600mt de altitude após 40km desde o porto do ferry mantendo-me durante muito tempo perto dessa altitude, são de todo desaconselháveis para quem quer fazer uma viagem do género.

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Após chegar e trocar impressões sobre o mesmo com os colegas da Land Rover Turquia, fiquei a saber que vindo para Patras, um pouco mais abaixo e depois viajando em auto-estrada até Atenas apanhando novo ferry para Izmir já na Turquia que é muito mais fácil e cómodo do que atravessar toda a Grécia como o fiz. Ficará um pouco mais caro pelo preço dos Ferrys, mas compensa pela comodidade principalmente.
Bom, estava na Grécia, era o caminho traçado e tinha de o cumprir, queria chegar são e salvo a Istanbul nesse dia, mas os quase 850km na Grécia foram uma verdadeira tortura.

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Fiquei muito desapontado com o país que encontrei, fora dos grandes centros como Atenas que não conheço pessoalmente, não só pelo mau estado das estradas como pelas gentes pouco amistosas e de aspecto pouco trabalhador.

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Durante a viagem deu tempo para pensar, que fizeram eles com o mesmo dinheiro provindo da CEE que nós em Portugal (apesar de muito ter sido desviado para local alheio) fizemos?

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Valeram algumas paisagens de montanha e junto ao mar encontradas e o preço do gasóleo a cerca de 0,85€ lt.
Nem parei para almoçar, comi apenas algo que transportava comigo, porque no primeiro ponto de algum tamanho que encontrei parei para pensar em comer algo e conforme entrei, sai ainda mais depressa pelo tão mau aspecto que tinha quanto a limpeza e sanidade. Decidi viajar o máximo que pudesse até chegar á Turquia que já conhecia.

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Chego á fronteira eram 21h depois de quase 12h ininterruptas a conduzir para cumprir os cerca de 850km até perto de Ipsala primeira povoação após fronteira com a Turquia.
Ainda não tinha terminado a viagem e o GPS marcava já quase 3.550km andados e 38h de condução no total desde que sai de casa, estava no 4º dia de viagem e perto do objectivo.
Anomalias no carro, nenhumas, comigo também não, e chega a hora de cumprir os tramites fronteiriços demorando cerca de uma hora na fronteira.
Arranco de novo eram quase 22h e faço os 250km que já conhecia grande parte deles em bom ritmo chegando a Istanbul ao meu local de destino 12 minutos depois das 00.00h.

Cumpridos 3.803km (porque fiz algumas pequenas alterações ao percurso para ganhar tempo) para um total de 3.825km previstos inicialmente no Autoroute sem nunca os ter feito na totalidade, apenas uma pequena parte até França conforme relatado anteriormente.

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Fantástica a viagem, a experiência, as paisagens, as fotos, o estar comigo mesmo a sós entregue aos pensamentos sobre a vida e á solidão da viagem e o principal estava cumprido, chegar são e salvo sem anomalias para reportar. Agora importa tirar partido de ter o Discovery aqui comigo, para o trabalho e para o lazer.

Até breve amigos, conhecidos e desconhecidos.
Afonso Cerejo

"Click" para ver o álbum fotográfico da viagem (1ª parte)



"Click" para ver o álbum fotográfico da viagem (2ª parte)
"Click" para ver o álbum fotográfico da viagem (2ª parte)


Os comentários
Parabéns Afonso Cerejo...
O tó-colante do LCP l´s continua inclinado :-)
Abraço,
FR
19/06/06 16:49:15
Não percebo a ideia de se ser transportado por um chaço destes por estrada através da Europa inteira. mas tá bem... Foi uma promessa à Nossa Senhora de Fátima?

19/07/06 01:30:22
Muitos parabéns pela coragem e pelo fantástico Discovery.
Um Land Rover é a melhor companhia para as pequenas e grandes viagens.
Abraço.
08/09/07 14:39:13
Ola Afonso:
E bom tao longe de Portugal e atraves do Google Earth, ouvir noticias tuas, continua assim...

Um abraco.

V. L.
17/12/07 14:50:10
Afonso,
Parabéns pela sua "conquista da Europa". Admirei sua tenacidade.
Fiz um tour,por companhia de turismo, por cinco países europeus, em Agosto passado e fiquei "com gosto de quero mais".
Gosto muito de viagens e sinto não ter o suficente $, liberdade e coragem para correr mundo, a começar pelo imenso Brasil.
29/03/08 01:26:20

©TTVerde.PT - Editado pela 1ª vez a 23/10/2066, em www.Aventura.TTVerde.PT
© TTVerde.PT -  Editado pela 1ª vez em 19/0'6/2006

Actualizado em Sábado, 12 Junho 2010 11:21
 

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